A igreja de Nossa Senhora da Boa Morte, construída entre 1806 e 1810, é um dos poucos exemplos ainda remanescentes na cidade de São Paulo, dos tempos da antiga vila de taipa. Seu grande mérito é ter sobrevivido ao crescimento e enriquecimento da cidade mantendo as suas características singelas das igrejas do interior. A igreja sofreu ampliações e alterações ao longo de setenta anos, sabendo-se que a sua feição atual corresponde às ultimas alterações feitas na década de 1870, quando foram reconstruídas a fachada principal e torre.


A sua caracterização arquitetônica é também exemplo da desimportância da cidade àquela época. Construída em tempos onde o neoclassicismo já se fazia dominante há mais de meio século na Europa e já presente nas principais cidades brasileiras; suas talhas são exemplo do Barroco e Rococó, cópia das talhas setecentistas da igreja da ordem terceira do Carmo, onde, contam, nasceu a irmandade, e de clara influência das características arquitetônicas das igrejas mineiras, cuja influência na vila de São Paulo, àquela época, era mais presente que a da então capital do reino.


O Arquiteto Olympio Augusto Ribeiro foi convidado em 2003 para elaboração do anteprojeto de restauração para captação de recursos através da lei Rouanet. Em 2006 foi dado início ao desenvolvimento do projeto executivo, quando foram intensificadas as pesquisas e levantamentos. O projeto foi aprovado pelos Órgãos de Preservação em primeira instância e a obra iniciada.


O projeto de restauração visa resgatar a unidade estilística e arquitetônica do conjunto, sanando graves problemas de infiltração e de estrutura existentes, além da revisão de todo o sistema elétrico e hidráulico, capacitando-a para os usos atuais, inclusive dentro do conceito de auto-sustentabilidade. A igreja sofreu sérias mutilações, principalmente em seu altar-mor e nos revestimentos decorativos. Os levantamentos executados in loco, os estudos e as pesquisas históricas nos permitiram resgatar características essenciais consolidadas até a primeira década do Século XX, visto que as intervenções sofridas pelo conjunto após esse período não são de grande vulto ou de porte, nem possuem qualidade arquitetônica significativa, tampouco se equivalem às características que formam a sua unidade.